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Faça Parte da Mudança! Responda a Pesquisa de Percepção sobre as Mulheres na Política

Link para acessar o formulário: https://forms.gle/dX7CF4NxfG87Q2jv9
A pesquisa ficará aberta para ser respondida até o dia 25 de outubro de 2020.
Mulheres compõem quase 52% da população, mas estão sub-representadas

De acordo com o IBGE, as mulheres representam 51,9% da população do país, mas estão sub-representadas em todo o campo de políticas públicas. Para tanto, a pesquisa visa entender a percepção sobre a importância de mulheres ocupando a política pública brasileira para redução das desigualdades. Esse trabalho está alinhado à proposta da ONU nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) que visa alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas dentro da Agenda 2030.

Sobre o Coletiv.us
Nossa Causa: Inclusão das Mulheres na Política, https://www.cidadesafetivas.com.br/coletiv-us/
Serviço
Lançamento Coletiv.us e Pesquisa sobre a Percepção das Mulheres na Política
Informações para imprensa: vivianblaso@cidadesafetivas.com.br
E-mail: vivianblaso@cidadesafetivas.com.br

Com todo esse calor, o ar-condicionado está em alta, mas será a melhor opção para o meio ambiente?

A Reforma Tributária Sustentável vai deixar os produtos sustentáveis e serviços públicos competitivos. Sua vida pode ficar mais barata e melhor.
Conheça as organizações parceiras:
IDS
Frente Parlamentar Ambientalista
Instituto Sociedade População e Natureza – ISPN
Instituto Escolhas
CDP Latin America
Instituto Akatu
Instituto Ethos
WWF-Brasil
Observatório do Clima
Cidades Afetivas
Instituto Clima e Sociedade
Centro Brasil no Clima
e nossas 9 propostas para a Reforma Tributária: http://estafaltandoverde.org.br/
Compartilhe nossas hashtags!
#EstáFaltandoVerde na #reformatributária
#ReformaTributáriaSustentável

CIDADES AFETIVAS LAÇA PROJETO SOBRE MULHERES NA POLÍTICA

No dia 10 de outubro às 15horas Cidades Afetivas realizará uma Live no seu canal no Youtube para falar sobre a proposta do Coletiv.us e da Pesquisa de Percepção sobre as Mulheres na Política.
A Live será transmitida no Youtube https://youtu.be/AWdFX-sn6yE do Cidades Afetivas e contará com participação das coidealizadoras: Sofia Benfica, Iolanda Benfica, Vivian Blaso e Sydney Cincotto Júnior do Cidades Afetivas onde serão apresentados os contextos atuais sobre a importância da inclusão das mulheres na política e os fundamentos do Cidades Afetivas relacionados ao Convivialismo e ao Bem Viver nas cidades. Neste dia também será disponibilizado nas redes sociais do Cidades Afetivas o formulário: https://forms.gle/dX7CF4NxfG87Q2jv9

da pesquisa que ficará aberto para ser respondido até o dia 25 de outubro de 2020.
De acordo com o IBGE as mulheres representam 51,9% da população do país, mas estão sub-representadas em todo o campo de políticas públicas, por isso, a pesquisa visa entender a percepção sobre a importância de mulheres ocupando a política pública brasileira para redução das desigualdades conforme proposta da ONU no ODS5, que visa alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas até Agenda 2030.
Sobre o Coletiv.us
Nossa Causa: “Inclusão das Mulheres na Política”
https://www.cidadesafetivas.com.br/coletiv-us/
Serviço
Lançamento Coletiv.us e Pesquisa sobre a Percepção das Mulheres na Política
Data: 10/10/20
Horário: 15horas
Informações para imprensa: vivianblaso@cidadesafetivas.com.br
Transmissão: Youtube https://youtu.be/AWdFX-sn6yE
E-mail: vivianblaso@cidadesafetivas.com.br (11) 99616 5360

Lançamento Nacional COLETIV.US e da Pesquisa de Percepção sobre as Mulheres na Política

No dia 10 de outubro às 15horas acompanhem o lançamento nacional do Coletiv.us uma extensão do Cidades Afetivas que traz o desafio de cocriarmos juntes caminhos para as mulheres na política.
Durante a Live que será realizada com as coidealizadoras: Sofia Benfica, Iolanda Benfica, Vivian Blaso e Sydney Cincotto Júnior do Cidades Afetivas serão apresentados os contextos atuais sobre a importância da inclusão das mulheres na política e os fundamentos do Cidades Afetivas relacionados ao Convivialismo e ao Bem Viver nas cidades. Neste dia será disponibilizado o formulário da pesquisa que ficará aberto para ser respondido até o dia 25 de outubro de 2020.
A Pesquisa de Percepção sobre as Mulheres na Política é a primeira iniciativa do Coletiv.us e pretende na sequência dar continuidade com a realização eventos, workshops e palestras sobre as temáticas que envolvem a inclusão das mulheres na política no Brasil e no Mundo.
O formulário estará disponível nas redes sociais do Cidades Afetivas, site WhatsApp e será amplamente divulgado para adesão das respostas em todo território nacional.
Sobre o Coletiv.us
Nossa Causa: Inclusão das Mulheres na Política
O que fazemos?
Curadoria e compartilhamento de conteúdo e aprendizados que tangenciam a esfera pública. Entrelaçamos conhecimentos e dialogamos para reimaginarmos juntas o futuro que queremos deixar para as próximas manas.
Ações:
Cursos, Workshops, Palestras, Eventos; Ativações nas redes; Pesquisas; e Advocacy com ênfase em políticas públicas para mulheres.
Quem Somos
Iolanda Benfica Blaso. Graduanda em Turismo – UFMG; Analista de Políticas Públicas na Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Núcleo de Pesquisa e Estatística) – Secult/MG; Articulação do Observatório do Turismo de Minas Gerais – OTMG; Membro do Conselho Estadual de Trabalho, Emprego e Geração de Renda de Minas Gerais. Apaixonada por turismo, cultura e estatística. Acredita na transformação social através da inserção das mulheres na política e na luta por igualdade. Enxerga o turismo como ferramenta de reconstrução e conexão, abarcando as singularidade dos territórios.

https://www.linkedin.com/in/iolanda-benfica/

Sofia Benfica Blaso. Graduanda em Gestão Pública – UFMG; Analista de Políticas Públicas Esportivas, na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social – Sedese/MG; Membro do Conselho Estadual de Política Cultural – CONSEC/MG; Diretora Financeira da Associação Atlética da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG; Acredita na luta pela equidade das mulheres na sociedade e no âmbito do setor público. Além da qualificação do setor público ampliando as formas de participação e transparência junto à sociedade.

https://www.linkedin.com/in/sofia-benfica-blaso/

Vivian Blaso. Idealizadora do Cidades Afetivas. Doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Complexidade – COMPLEXUS. Pesquisadora de Pós Doc no IEA USP Cidades Globais em Advocacy e Processos Participativos em Áreas Verdes em São Paulo. Professora em Universidades, Palestrante, Artista, Autora do livro Cidades em Tempos Sombrios. Barbárie ou Civilização e Sócia na Conversa Sustentável. Apaixonada pelas cidades e seus movimentos. Ativista da sustentabilidade, dedica-se à educação, convivialismo e ao bem viver. Linha de Pesquisa: Diversidades Culturais e Pensamento Complexo.
https://www.linkedin.com/in/vivian-blaso-52b5a6a/

Serviço
Lançamento Coletiv.us e Pesquisa sobre a Percepção das Mulheres na Política
Data: 10/10/20
Horário: 15horas
Informações para imprensa: vivianblaso@cidadesafetivas.com.br
Youtube:https://youtu.be/AWdFX-sn6yE

#mulheresnapolítica #politize #pesquisapercepçãomulheresnapolítica2020 #onumulheres #thinkolga #igualdadedegênero #ods5 #eleições2020 #onu #bemviver #vidaemcomum #convivialismo #inclusão #diversidade #advocacy #políticaspúblicas #cidadesafetivas

Cidades Afetivas no Festival Gentileza

No dia 27 de setembro Vivian Blaso do Cidades Afetivas vai participar do Festival Verbo Gentileza no painel Cidades Gentis 👉🏼 O QUE PEGA?
Que cidade desejamos daqui pra frente? Estamos prontos pra votar nas próximas eleições municipais?
Cidades Gentis, um painel que pretende discutir sobre novos modelos de cidade (+ gentil) do ponto de vista da convivência humana e ocupação do espaço urbano.
Papo gostoso, atual, consciente com painelistas de diferentes visões e abordagens ao tema. Colagem de pensamentos e pontos de vista sem a pretensão de esgotar a discussão, mas de ampliá-la criativamente. Inscrições gratuitas no Sympla https://www.sympla.com.br/cidades-gentis-webinar-o-que-queremos-para-as-nossas-cidades__969153 #verbogentileza #cidadesafetivas #festivalgentileza2020

Atenção Vereadores de São Paulo: “Não queremos a Poluição Visual de volta na Cidade”

Sobre o Projeto de Lei 898/2013 que autoriza a colocação de anúncios publicitários nos topos dos edifícios. Alteração da Lei Cidade Limpa


Prezado Vereador

Pelo interesse público, pedimos que VOTE CONTRA o Projeto de Lei 898/2013!
Este Projeto defende exclusivamente o interesse corporativo do setor de anunciantes e significa grave retrocesso ambiental-paisagístico para a cidade.
Vamos acompanhar de perto o seu voto.

1-Movimento Defenda São Paulo
2-Sociedade Moradores Butantã – Cidade Universitária
3–Sociedade dos Moradores do Butantã City
4-Associação dos Moradores do Jardim da Saúde
5-Associação Amigos do Jardim das Bandeiras
6-Associação dos Moradores Amigos do Parque Previdência – AMAPAR
7-SAMORCC – Sociedade dos Amigos, Moradores e Empreendedores do Bairro Cerqueira César
8-APPIT – Associação dos Proprietários, Protetores e Usuários de Imóveis Tombados
9-AVM – Associação de Moradores da Vila Mariana
10-Associação Movimento dos Moradores, Prestadores de Serviço e Comerciantes da Avenida Paulista e Entornos – MOVPAULISTA
11-Associação Viva Leopoldina
12-VIVAPAC – Viva Pacaembu por São Paulo
13-MOVER – Movimento de Oposição à Verticalização Abusiva da Lapa
14-SAAP – Sociedade dos Amigos de Alto dos Pinheiros
15-SOMASU – Sociedade dos Moradores e Amigos do Sumaré
16-Associação dos Moradores do Bolsão Residencial Jardim Campo Grande – City Campo Grande
17-Sociedade Amigos Bairro City Boaçava – SAB
18-ASAJAR – Associação dos Amigos do Rolinópolis
19-Associação dos Moradores da Vila Nova Conceição
20-Associação Morumbi Melhor
21-Bairro Vivo – Agência de Preservação Urbana
22-SAJAPE – Associação dos Moradores dos Jds Petrópolis e dos Estados
23-AMOGRANJII – Associação de Moradores da Granja Julieta e Imediações
24-SOS Panambi
25-Associação dos Amigos da Praça João Afonso de Souza Castellano
26-Movimento Parque Linear Caxingui
27-Associação dos Amigos do Planalto Paulista – SAPP
28-AMOCORE – Associação de Moradores do Conjunto Residencial Butantã
29-SABROVE – Associação dos Moradores do Brooklin Velho
30-SABABV – Associação dos Amigos do Bairro Alto da Boa Vista
31-Associação dos Amigos da Pascoal Leite
32-Assampalba – Associação de Amigos e Moradores pela Preservação do Alto da Lapa e Bela Aliança
33-Associação de Preservação do Cambuci e Vila Deodoro
34-Forum Verde Permanente
35-Associação dos Moradores do Bairro da Aclimação – Viva Aclimação
36-CIRANDA – Comunidade e Cidadania
37-SAVAMA – Associação dos Moradores e Amigos da Vila Alexandria
38-Cidades Afetivas
39-SAJAMA – Sociedade dos Amigos de Bairro do Jardim Marajoara
40-AMAPPH – Associação dos Moradores e Amigos de Perdizes, Pacaembú e Higienópolis
41-ASAJO – Associação Amigos do Jardim Olímpia
42-Coletivo das Vilas Beatriz, Ida e Jataí
43-Comunidade City Pirajussara
44-Associação Cultural da Comunidade do Morro do Querosene
45-Revista Restauro
46-Sociedade Amigos do Residencial Parque Continental
47-Docomomo Conselho Internacional para Conservação do Patrimônio Moderno

Vamos conversar sobre Bem Viver!

Vivemos um tempo em que as crises de natureza econômica, social, política, sanitária, educacional, ambiental, cognitiva, ética não são apenas crises isoladas e pontuais, são, de fato, sistêmicas e globais. Edgar Morin, alerta para a policrise do presente gerada pela tríplice ação “globalização – ocidentalização – desenvolvimento”, que degrada a biosfera e ameaça a diversidade biocultural.
É possível cocriarmos uma outra via para as comunidades viventes na biosfera terrestre que congregue humanos, animais, plantas, as águas, o ar, os minerais, em suma, o conjunto dos ecossistemas bioculturais do planeta?
É sobre essas vias regeneradoras das potencialidades vivas e criativas que vamos conversar com vocês!
Quando: Segunda-feira, dia 07/09, às 20 horas
No Instagram do Cidades Afetivas: https://www.instagram.com/cidadesafetivas/?hl=pt-br
#regeneração #cidadesafetivas #vidaemcomum #convivialismo #bemviver #incandescências #pensamentocomplexo #liveincandescências

Nove Propostas para uma Reforma Tributária Sustentável

Parlamentares e representantes da sociedade civil apresentam hoje, 25 de agosto, nove propostas para uma reforma tributária verde. Elas visam responder a dois desafios cruciais para o desenvolvimento do Brasil: por um lado, simplificar regras, reduzir a carga fiscal e eliminar subsídios perversos; por outro, favorecer o desenvolvimento de uma economia verde que coloque o país na vanguarda do paradigma de desenvolvimento do século XXI.

Equacionar a vasta gama de impostos e taxas que incidem sobre o setor produtivo é um dos desafios mais urgentes para favorecer o desenvolvimento do país. Mas esse trabalho não pode estar desconectado dos desafios ambientais e climáticos que o Brasil enfrenta e que recentemente foram objeto de inúmeros alertas de empresários, banqueiros e investidores nacionais e internacionais.

A boa notícia é que uma reforma tributária sustentável não só é possível, como contribui para redução gradativa da carga de impostos e torna o sistema mais simples e socialmente justo. Essa é a principal conclusão da imersão feita pelo Grupo de Trabalho da “Reforma Tributária Sustentável”, formado no âmbito da Rede de Advocacy Colaborativa – RAC, e que resultou em um documento com nove propostas, entregue formalmente aos parlamentares coordenadores das Frentes Ambientalista e demais frentes relacionadas ao tema.

“Identificamos nove pontos-chave dentro do sistema tributário nacional que, se acionados, fazem girar as engrenagens que nos permitem transitar para uma economia de baixas emissões de carbono, gerando novos empregos e bem-estar à população e atualizando nossa política tributária para convergir com o Acordo de Paris e com a Política Nacional de Meio Ambiente, de Biodiversidade e de Povos e Populações Tradicionais”, destaca André Lima do IDS – Instituto Democracia e Sustentabilidade que coordenou os trabalhos do GT.

Tendo como ponto de partida elementos e diretrizes apresentados pelo economista Bernard Appy, o trabalho foi concluído com nove propostas:

1) Garantir princípios socioambientais no regime tributário. Ou seja, quem polui mais, precisa pagar mais impostos. Quem protege o meio ambiente, paga menos. Assegurando que haja “verde” suficiente nessa Reforma Tributária.

2) Melhorar Governança Climática e Socioambiental local – IBS Ecológico. Criar mecanismo, a partir dos recursos captados pelo novo tributo (IBS), para compensação e transferência financeira aos municípios que estimulem boas práticas de governança climática e desempenho socioambiental local.

3) Criar Fundo para o Desenvolvimento Regional “Sustentável” de combate às desigualdades sociais e regionais e investir em atividades produtivas e infraestruturas sustentáveis, que ajudam na questão climática e beneficiam povos indígenas e tradicionais.

4) Garantir a plena municipalização do ITR – Imposto Territorial Rural e com a CIDE uso do solo incentivar o uso produtivo e sustentável da terra. Adaptar o atual ITR (Imposto Territorial Rural) conferindo a ele função arrecadatória para os municípios e instituir a CIDE uso do solo, sem função arrecadatória, para desestimular o uso improdutivo e insustentável do solo.

5) Transformar a CIDE-Combustíveis em CIDE-Carbono ou CIDE-Ambiental para ampliar e adequar a efetividade do imposto no combate à emissão de poluentes, defendendo o meio ambiente e assegurando estabilidade climática.

6) Especificar externalidades ambientais para cobrança do Imposto Seletivo Ambiental. Aprimorar a proposta do Imposto Seletivo, deixando claro que quem prejudica a saúde e o bem-estar da população ou o clima e meio ambiente deve pagar mais.

7) Compensar a tributação sobre atividades econômicas verdes. Criar o Cadastro Nacional de Atividades Verdes e garantir tratamento diferenciado a produtores e prestadores de serviços que contribuam efetivamente com o clima e a sustentabilidade no Brasil, mediante a devolução parcial dos valores pagos pelo novo IBS.

8) Vedar a concessão de benefícios a atividades intensamente poluentes. Garantir que não serão concedidos benefícios fiscais e subsídios a atividades altamente emissoras de carbono, mediante vedação expressa na Constituição Federal.

9) Diferenciar a eliminação gradual de subsídios. Conceder maiores prazos para extinção de benefícios relacionados a atividades menos intensivas, neutras ou positivas em emissões de gases de efeito estufa. Reduzir mais rápido os incentivos de quem polui mais e manter por mais tempo os incentivos de quem contribui com a mitigação da crise climática.

Acesse e saiba mais: http://estafaltandoverde.org.br/

#EstáFaltandoVerde

#ReformaTributáriaSustentável

Breviário da vida e da morte Edgard de Assis Carvalho Núcleo de estudos da complexidade, COMPLEXUS Abril-maio 2020.

Para Aldir Blanc, morto pela Covid19, e Flávio Migliaccio, que desistiu de viver, quando constatou que a humanidade não deu certo.

[Em 4/5/2020].

Vírus-zumbi que assola os quatro cantos da Terra, a pandemia da Covid-19 exige uma reflexão complexa das Humanidades, o que aliás permanece incipiente no Brasil. Existem trágicas quantificações da expansão da contaminação, reiteradas recomendações de isolamento e confinamento, nem sempre cumpridas, benevolentes ações de ajuda mútua. O que se constata, porém, é a inépcia e incapacidade do governo federal de gerir essa geopolítica do caos e do medo.
Com um fanático narcisista no poder, portador de visíveis sintomas de psicopatia, de desconexão com a realidade, que conta com a fidelidade fanática de seu clã, além de apoiadores insensatos, filofascistas seriais, gurus fundamentalistas, militares de caserna, o Brasil caminha na contramão de estados democráticos contemporâneos, empenhados em conter a disseminação desse flagelo planetário por meio de ações globais de cooperação, contra as quais o país sempre se perfila, ao lado dos Estados Unidos e mais doze países.
Regressão ética, ausência de solidariedade e fraternização, de preocupação com o outro são termos insuficientes para definir tais atitudes. Existe um objetivo explícito de desdizer organismos internacionais como OMS, ONU, anular recomendações sanitárias nacionais e internacionais, minimizar os efeitos da disseminação, acabar com quarentenas e confinamentos, exigir que todos voltem ao trabalho.
Exceção deve ser creditada às agências de pesquisa federais, estaduais, municipais que, apesar da exiguidade de verbas e cortes insensatos de programas de pesquisa, se empenham em decifrar a Covid-19, identificar possibilidades de combate, ampliar leitos e UTIs para abrigar contaminados, testar medicamentos, colaborar para a criação de uma vacina. Se os vírus que, cotidianamente, invadem computadores e plataformas digitais continuam a ser combatidos, e com certo sucesso, esse vírus-zumbi que invadiu corpos e mentes desafia a todo tempo os múltiplos sentidos da morte e da vida, pondo à prova a impermanência, a arrogância, a desigualdade, o egoísmo, a solidariedade.
A filosofia cumpre importante papel nesse processo comandado por Tânatos. Cada um a seu modo, os filósofos tentam entendê-lo, expondo suas percepções sobre o caráter multidimensional da pandemia. Em A filosofia da pandemia, por exemplo, publicado na Ilustríssima da Folha de São Paulo, de 12 de abril último, encontram-se expostas assertivas, conjecturas, utopias, predições de vários pensadores contemporâneos. Excelente trabalho da jornalista Úrsula Passos, ilustrado por Camila Rocha, que serve de termômetro de uma filosofia cindida entre o ceticismo, a descrença, a irracionalidade, a imotivação.
Sem pretensão de analisar o conjunto, pode-se destacar: o ‘socialismo de emergência’ de Slavoj Zizek, o retorno do ‘estado de exceção’ do Homo Sacer de Giorgio Agamben, a dissipação da razão de Alan Badiou, a tentativa de entender a soberania num contexto de identidades sexuais e raciais desarticuladas, de Paul Preciado, a pujança do capitalismo pós-pandemia de Byung-Chul Han, para quem a China venderá seu ethos para o resto do mundo.
Um outro lado dos saberes, porém, empenha-se em trazer à reflexão fontes que podem ampliar a percepção do ser-aí, desse mundo pandêmico. Definido por Heidegger em Ser e Tempo1, o cerne do ser-aí se expressa na cotidianidade do ser humano, sempre às voltas com os dilemas da angústia e da morte. Para ser autêntico, esse ser-no-mundo sempre pergunta, questiona. Essa é a essência do ato de conhecer, que denega o dualismo natureza e intelecto, corpo e mente, essência e existência, razão e desrazão.
Esse macro-objetivo é a marca dos pensadores aqui elencados. São filósofos, psicanalistas, romancistas, poetas – vivos ou mortos – que, no transcorrer de suas vidas, problematizam os múltiplos sentidos da iminência da morte, da preservação da vida, do desassossego da psique, da solitude do ser. Reler os fragmentos de seus ditos e escritos se impõe como algo fundamental para esses tempos viróticos e sombrios que nos assolam e nos deixam atônitos, estarrecidos, perplexos diante de um devir incerto, indeterminado, obscuro, indeliberado. Este Breviário da vida e da morte põe em questão a pretensa onipotência do homem em dominar o mundo, a vida, a Terra, o cosmo e ignorar a existência do outro. Afinal, Montaigne em seus Ensaios já afirmava, “fazer filosofia é aprender a morrer”.
Edgar Morin – março de 2020.
A crise da Covid-19 mostra que a mundialização é uma interdependência sem solidariedade. O movimento da globalização produziu a unificação tecnoeconômica do planeta, mas não se empenhou em fazer progredir a compreensão entre os povos. Perigos planetários – ecologia, armas nucleares, desregulação da economia – criaram uma comunidade de destino da qual os humanos não tomaram consciência. O vírus esclarece hoje de maneira imediata e trágica essa comunidade de destino. Será que tomaremos consciência disso? Como não existem solidariedade internacional e organismos comuns capazes de tomar medidas globais, o que se constata é o fechamento das nações nelas mesmas. O Novo Coronavírus nos diz enfaticamente que a humanidade como um todo deve buscar uma nova via que abandonaria a doutrina liberal em prol de um New Deal político, social, ecológico. A nova via corrigiria os efeitos da mundialização criando zonas desmundializadas que salvaguardariam as autonomias fundamentais.
Thomas Steams Eliot – 1922
Abril é o mais cruel dos meses, criando
Lilases na terra morta, mesclando
Memória e desejo, atiçando
Raízes tardas com chuva de primavera.
Cidade irreal,
Sob a névoa marrom de uma aurora de inverno
Multidões afluíram à ponte de Londres, tantos,
Não sabia que a morte desfizera tantos.
Suspiros, curtos e infrequentes, eram soltos,
E cada qual fitava à frente dos seus pés.

O Bibliotecário, 1562. Giuseppe Archimboldo.

Albert Camus – 1947
A peste, é preciso que se diga, tirara a todos o poder do amor e até mesmo da amizade. Porque o amor exige um pouco de futuro e para nós só havia instantes. É claro que nada disso era absoluto. Pois se é verdade que todos os separados chegaram a esse estado, é justo acrescentar que não chegaram todos ao mesmo tempo e que, da mesma forma, uma vez instalados nessa nova atitude, lampejos, retrocessos, bruscos estados de lucidez levaram os doentes a uma sensibilidade mais nova e mais dolorosa. Eram necessários para isso momentos de distração, em que eles formavam algum projeto que implicava o fim da peste.
Jean Baudrillard – 2001
Terrorismo e vírus encontram-se em todos os lugares. Há uma perfusão mundial do terrorismo (e do vírus) como fantasmas que acompanham a totalidade do sistema de dominação, sempre pronto a se revelar como agente duplo. Não existe mais linha de demarcação que permita circunscrevê-lo, encontra-se no próprio cerne da cultura que o combate. A ruptura visível (e o ódio) que, no plano mundial, expõe explorados e subdesenvolvidos a exploradores e desenvolvidos cimenta secretamente a fratura interna do próprio sistema dominante. Esse sistema pode enfrentar qualquer organismo visível mas contra o terrorismo de estrutura viral não tem poder nenhum. Parece que ninguém compreendeu que o Bem e o Mal crescem simultaneamente em poder e movimento.

Carlos Drummond de Andrade – 1928
Impossível compor um poema a essa altura de
evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja –
de verdadeira poesia.
Um sábio declarou que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de
cultura. Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heroicos renascem.
Inabitável o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria como
um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema).
Boris Cyrulnik – abril de 2020.
O confinamento é uma proteção psíquica necessária à sobrevivência e, ao mesmo tempo, constitui uma evidente agressão psíquica. Nos dias atuais é preciso respeitar o ‘distanciamento social’ para evitar dezenas de milhares de mortes. Existem maneiras de enfrentá-lo. Os indivíduos vão redescobrir ou inventar rituais familiares, dedicarem-se a projetos pessoais, tocar um instrumento musical, ler, escrever, manter contato com familiares e amigos próximos. Experiências demonstram que os animais, assim como os humanos, quando são privados da interação com seu ambiente, se descompensam de maneira ansiosa, angustiante, alucinatória e até mesmo delirante. O isolamento sensorial provoca alteração nas funções cognitivas. O diagnóstico por imagem do cérebro demonstra que o isolamento provoca atrofias dos dois lóbulos pré-frontais, sede da antecipação, do sistema límbico, sede da memória e das emoções, mas também uma atrofia da amigdala cerebelosa, sentinela de insuportáveis emoções.

Liev Tolstói – 1903
Quando Deus voltou para ver como os homens estavam vivendo desde que foram expostos a doenças, constatou que a vida deles estava ainda pior. Aqueles que forçavam outros a trabalhar para eles também os forçavam a cuidar deles quando caíam doentes, mas eles próprios, por sua vez, nunca cuidavam dos doentes. Então os homens construíram casas grandes, onde os doentes padeciam e morriam sem a compaixão de ninguém. Ademais, a maioria das doenças foi considerada contagiosa. Se é assim, que se arranjem com seus próprios sofrimentos, disse Deus. E abandonou os homens. Por fim, os próprios homens começaram a entender que, diante da constante ameaça da morte, a única atitude razoável consiste em viver em harmonia cada hora, cada mês, cada minuto que são concedidos a cada um de nós. As doenças não devem ser motivo de separação. Ao contrário devem motivar a união e o amor entre todos.
Scott Atran – abril de 2020.
Malgrado nossa relativa fraqueza física, nossa capacidade de criar e manter laços sociais sólidos permitiu à espécie humana dominar todos seus grandes concorrentes biológicos. Gracas à socialização, aprendemos uns com os outros. Quando nossos próximos adoecem, nossa tendência é abraçá-los, reconfortá-los física e emocionalmente. Com o Novo Coronavírus, nos conscientizamos do problema psicológico, social e político que o isolamento social provoca. As limitações do transporte mundial, o fechamento de fronteiras, a proibição de agrupamentos, o isolamento de bairros e, sobretudo, o afastamento de parentes e amigos encorajam comportamentos que só fazem aumentar a solidão. Na realidade, sem ajuda mútua e cooperação – entre vizinhos, comunidades, nações – as epidemias e pandemias podem infectar e matar ainda mais.
Philip Roth – 2010
Então quando o trabalho terminou e os garotos foram trocar de roupa na cabana preparando-se para jantar, ele tirou os óculos, galgou o trampolim mais alto e, durante meia hora, se concentrou em executar os saltos mais difíceis de seu repertório. Ao sair da água pela última vez e repor os óculos, não tinha ainda tirado da cabeça o que acontecera – a velocidade com que tudo havia acontecido e a ideia de que era dele a responsabilidade pelo que havia acontecido. Ou a de que o surto de pólio no pátio de recreio tinha origem nele. Ouviu então um uivo altíssimo. Era o uivo da vizinha aterrorizada com o risco de que seu filho contraísse pólio e morresse. Mas ela não apenas ouvira o uivo – ele próprio uivara. Mais tarde, os carros começaram a chegar para levar os meninos de volta para casa. Mais de cem dos duzentos e cinquenta hóspedes da colônia haviam sido levados pelos pais. No dia seguinte, outros dois meninos foram diagnosticados com pólio, e a colônia de férias imediatamente fechou as portas.
Michel Maffesoli – abril de 2020.
Esta crise sanitária é sinal de uma crise civilizatória. Vivemos o fim de um paradigma, e isso é mais evidente agora, com a presença da morte a nos rondar. A epidemia atual tem uma expressão simbólica nesse sentido. Mas, sejamos claros, a epidemia é real. Essa possibilidade de perigo é simplesmente a possibilidade de morrer. E, apesar da presença da morte, acho importante que haja manifestações lúdicas, emocionais, por meio de elementos simbólicos. Vivemos agora o ativismo em redes. E são as redes sociais, os fóruns virtuais, os blogs que nos conectam com a alteridade. É lá que as pessoas, durante o confinamento, estão se comunicando, o que é bem paradoxal, eu diria. Para mim, há uma volta de algo cultural e espiritual, uma espécie de ideal comunitário que está assumindo mais força na contemporaneidade.
Esopo – 325 – a.C.
Certa vez havia num brejo um rã que gritava para todos os animais: “Eu sou médica, especialista em todos os tipos de remédios!”. Ao ouvi-la, disse uma raposa: “Se você, que manquitola, não cura sua própria deficiência, como é que vai salvar os outros?”.
Sigmund Freud – 1915
Na escola psicanalítica podemos arriscar a afirmação de que no fundo ninguém acredita na própria morte; ou, o que vem a significar o mesmo, que no inconsciente cada um de nós está convencido de sua imortalidade. Via de regra, enfatizamos a natureza casual da morte, um acidente, uma doença, infecção ou idade avançada, e desse modo traímos o nosso empenho em vê-la como algo fortuito, em vez de necessário. Um grande número de mortes nos parece terrível ao extremo. Essa postural cultural-convencional diante da morte é complementada pelo total colapso que sofremos quando morre alguém que nos é próximo. Enterramos com ele todas as nossas esperanças, ambições, alegrias, ficamos inconsoláveis e nos recusamos a substituir aquele que perdemos. Então é inevitável que busquemos no mundo da ficção, na literatura, no teatro, substituto para as perdas da vida. Lá encontramos pessoas que sabem morrer, e que conseguem até mesmo matar uma outra. E apenas lá se verifica a condição sob a qual poderíamos nos reconciliar com a morte; de que por trás de todas as vicissitudes da vida nos restasse ainda uma vida intacta. No reino da ficção encontramos a pluralidade de vidas de que temos necessidade. Morremos na identificação com um herói, mas sobrevivemos a ele e já estamos prontos a morrer uma segunda vez com outro, igualmente incólumes.
Arthur Rimbaud – 1871
Quando eu atravessar os rios impassíveis
Senti-me libertar dos meus rebocadores.
Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis
Os espetavam nus em portas multicores.
Eu era indiferente à carga que trazia.
Gente, trigo flamengo ou algodão inglês.
Monta a tripulação e finda a algaravia,
Os rios para mim se abriram de uma vez.
Imerso no furor do marulho oceânico,
No inverno, eu, surdo como um cérebro infantil,
Deslizava, enquanto as Penínsulas em pânico
Viam turbilhonar marés de verde e azul.

Mathieu Ricard – 2019
Mesmo que não se considere a morte como uma passagem, uma visão salutar dela nos leva a compreender, em nosso nível mais profundo, que a morte é inevitável, que sua hora é imprevisível. Levar em conta tal evidência, permite dar a cada instante que passa um valor inestimável, mesmo que esse instante consista em não fazer nada ou simplesmente olhar um pássaro voar sobre uma árvore em flor. Essa tomada de consciência não é nada mórbida: permite que vivamos melhor e evita que desperdicemos o tempo com coisas desnecessárias. Sejamos inteligentes o suficiente para reconhecer o valor inestimável da vida e decidir o melhor a fazer diante dele, tomando como base o nosso bem e o dos outros. Sêneca afirmava: “Não é que tenhamos pouco tempo, mas sim que perdemos tempo demais”. Dissipemos a ilusão que consiste em acreditar que temos “uma vida inteira diante de nós”. Não deixemos de lado a compreensão inelutável da morte.
Edmilson Felipe – abril de 2020.
Sequer um contato imediato de
um planeta distante, um milagre
de lágrimas no orvalho do sonho,
crianças dançando no teatro de
velas, aquarelas desbotadas na
paisagem urbana.
Nunca mais a semana com dias após outros.
Onde anda você e seu corpo de
carnaval, seu jeito de fotografar a lua
com os lábios, seu sol brilhante na
rua de paralelepípedos?
É
Tudo ganhou novo brilho ou perdeu
o delírio de estar à deriva.
Vivamos a vida, antes que
A devore o Vírus.

Julia Kristeva – março de 2020.
É curioso observar que a palavra ‘viral’ já foi utilizada várias vezes ao longo do tempo. Reações virais fazem parte de nossa realidade política e econômica hiperconectada. A aceleração de nossa civilização chegou a um estado viral e agora essa metáfora nos perturba, pois ela se inscreve no real, é uma ameaça interna e também externa. Talvez não tenhamos defesas imunitárias suficientes e o perigo atinge a todos. Muito têm o vírus, mesmo sem sabê-lo. Alguns sobreviverão, outros não. Sempre me preocupo com a incapacidade contemporânea de viver só. Perdemos o verdadeiro sentido da palavra, da sensação, da partilha, da ternura, do dever e da preocupação com o outro. Não nos damos conta de que a morte está em nós, na apoptose, que é um processo de morte e de regeneração celular. A arte e a literatura se ocuparam com esses temas. Penso em Marcel Proust e Georges Bataille por exemplo. Me considero uma pessimista incansável. Sobrevivi a três guerras: a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria, a experiência do exílio. Me defronto agora com essa guerra viral. Talvez por isso, eu me arrisque a falar de sobrevivência. Estamos prontos para uma arte de viver, que não terá nada de trágico, mas que será complexa e exigente.
Primo Levi – 1958
Vocês que vivem seguros
Em suas cálidas casas.
Vocês que, voltando à noite,
Encontram comida quente e rostos amigos,
Pensem bem se isto é um homem
Que trabalha no meio do barro,
Que não conhece paz,
Que luta por um pedaço de pão
Que morre por um sim ou por um não.
Pensem que isto aconteceu:
Eu lhes mando estas palavras,
Gravem-nas em seus corações
Estando em casa, andando na rua,
Ao deitar, ao levantar;
Repitam-nas a seus filhos.
Sylvie Angel – abril de 2020.
Estamos todos mergulhados numa situação que não foi escolhida por nós. Privados das saídas, das distrações habituais, surge um nível de angústia e estresse sem precedentes. Todos se preocupam com o futuro, com que acontecerá com seus próximos. Torna-se necessário não sucumbir no catastrofismo. Confinados, temos a nosso dispor telefones, livros, internet. Temos de reconhecer que o coronavírus é uma batalha. Como em qualquer crise, coisas positivas e novas vão surgir, mas nossa atitude pessoal quanto à felicidade cumpre um importante papel nesse processo. Estudos mostram que espaços reduzidos de intimidade aumentam as tensões. Para se preservar é preciso inventar uma visão metafórica da situação: por exemplo, dizer que estamos todos no mesmo barco para uma longa travessia com tarefas a serem compartilhadas, para que ninguém se afogue ou se estresse demais.
Machado de Assis – 1885
Vês um féretro posto em solitária igreja?
Esse pó que descansa, e se esconde e se some,
Traz de um grande ministro o formidável nome
Que tem vivas letras de ouro e lágrimas flameja.
Lá fora uma invasão esquálida braceja,
Como um mar de miséria e luto, que tem fome
E novas praias busca e novas praias come.
Enquanto a multidão, recuando, peleja.
O gaulês que persegue, o bretão que defende
Duas mãos de um destino implacável e oculto
Vão sangrando a nação exausta que se rende.
Dentre os mortos da história, um só único vulto
Não ressurge: um Pacheco, um Castro não atende;
E a cobiça recolhe os despojos do mundo.
Edgard Carvalho – 2020
Para os gregos, a morte, a velhice, as epidemias e todos os males do mundo ficavam encerrados na Caixa que Pandora trouxera consigo quando veio habitar entre os seres humanos. A Caixa continha os males que Zeus desejava infligir à humanidade para se vingar do roubo do fogo praticado por Prometeu. Apesar de suas recomendações, seu irmão Epimeteu, apaixonado pela bela Pandora, abriu a Caixa. Desde então, os homens foram condenados a trabalhar, a morrer, a se unirem às mulheres, a se casarem para se reproduzir. As ressonâncias dessa narrativa mítica estão mais vivas do que se supõe nesses tempos pandêmicos, pois na Caixa de Pandora vem sendo incluídos outros males, mais insidiosos e atuais, como o recrudescimento dos autoritarismos que usam a Covid 19, o perigo iminente, para ampliar suas redes de vigilância e punição sem reação ou revolta da população. Hong Kong foi abruptamente silenciado, a China continental instala câmeras de vigilância fora e dentro das casas, em nome da segurança de todos.
Como já foi tantas vezes reiterado, é preciso ficar de cabeça fria e não aderir aos profetas da infelicidade – fundamentalistas, nacionalistas, colapsistas – que acreditam que a mutação de um vírus pode ser o sinal anunciador do fim do mundo. É preciso também afrontar os arautos do ódio, inumanos que não se importam com a preservação da vida e conspiram nos gabinetes do poder. “Acredito piamente que a ciência e a paz triunfarão sobre a ignorância e a guerra”, afirmou Louis Pasteur em Paris, em 1892, na Sorbonne. Que essas palavras ecoem pela Humanidade inteira, e que não nos esqueçamos jamais do enunciado de Heráclito – “Viver de morte, morrer de vida”.
Johann Wolfgang von Goethe – 1787
Faz uma semana que o tempo está péssimo, e isso me agrada. Pois desde que estou aqui, não houve um único dia bonito que alguém não tivesse estragado ou envenenado. Se chover, nevar, fizer frio e degelar: ah! penso eu, dentro de casa não pode ser pior do que lá fora, ou vice-versa, e assim está bem. De manhã, quando o sol nasce prometendo um belo dia não hesito em exclamar: aí têm eles de novo um bem celestial que não podem arrancar um do outro. Saúde, reputação, contentamento, repouso! E quase sempre por estupidez, incompreensão e mesquinhez tudo com a melhor das intenções, dizem eles. Às vezes gostaria de pedir-lhes de joelhos para não revirarem suas entranhas com tanta fúria.
Edgar Morin – abril de 2020.
Sei que um confinamento temporário será vivido como um impedimento. Os vídeos não podem substituir a ida ao cinema, os tablets a ida à livraria. Skype e Zoom não possibilitam o contato carnal, o tim-tim das taças num brinde. A comida doméstica, mesmo excelente, não suprime o desejo de ir ao restaurante. Documentários não suprimirão a vontade de conhecer de perto as paisagens, as cidades, os museus. A redução ao indispensável desperta a sede do supérfluo. Essa epidemia nos traz um festival de incertezas. Não temos certeza da origem do vírus. Não sabemos se devemos esperar o pior ou o melhor, a uma mistura de ambos. A ciência não é um repertório de verdades absolutas e suas teorias são biodegradáveis , sob o efeito de descobertas novas. Foram os “desviantes”, de Pasteur a Einstein, passando por Darwin, que fizeram as teorias progredirem. Como a crise econômica, a pandemia abala todos os dogmas que governam a economia; como crise nacional, revela as carências de uma política que favoreceu o capital em detrimento da rentabilidade e da competitividade; como crise civilizacional nos leva a perceber as carências de solidariedade e de fraternidade e a intoxicação consumista que nossa sociedade desenvolveu. Continuamos a prever 2025 e 2050, mas somos incapazes de compreender 2020.
Peter Sloterdijk – 2009
A situação atual do mundo se distingue pelo fato de não possuir uma estrutura de coimunidade para os membros da “sociedade mundial”; a solidariedade ainda é uma palavra extremamente vã. Hoje, como no passado, se pode aplicar ao termo a controvertida frase de Carl Schmitt, especialista em direito público: “Aquele que fala em humanidade quer enganar”. O motivo de tal afirmação é evidente: nos dias atuais, como
em tempos passados, as efetivas unidades de solidariedade são formatadas em nível familiar, tribal, nacional, imperial, e só há pouco tempo em estratégias regionais que funcionam – isso quando funcionam – de acordo com os respectivos formatos da diferença entre o semelhante e o “estrangeiro”. As alianças bem-sucedidas para a sobrevivência são, por conseguinte, particulares e, por isso, as “religiões mundiais” também não podem, de acordo com a natureza das coisas, ser mais do que meros provincialismos em larga escala. O próprio conceito de “mundo” é uma mera expressão ideológica, que promove o macroegoísmo do Ocidente e de outras grandes potências e não descreve a estrutura concreta de coimunidade de todos aqueles que se empenham na sobrevivência da cena global. Os sistemas particulares rivalizam uns com os outros, segundo uma lógica que habitualmente produz ganhos imunitários para uns e perdas imunitárias para outros. A humanidade não é um superorganismo – como apressadamente afirmam alguns teóricos da teoria dos sistemas. Até que algo de novo aconteça, ela não é nada mais do que um agregado de “organismos” hierarquizados, que jamais se integram numa unidade de nível global que seja capaz de funcionar. Toda história é uma história de combates entre sistemas imunitários.
Esopo
Um homem malvado apostou com uma pessoa que iria lhe provar que o oráculo de Delfos era falso. No dia marcado, pegou um pardalzinho, encobriu-o com o manto e foi ao santuário. Em pé, diante do oráculo, perguntou-lhe se o que estava segurando nas mãos era uma coisa viva ou sem vida. Sua intenção era, caso ele dissesse “sem vida”, mostrar o pardalzinho vivo, e, caso dissesse “viva” apresentá-lo morto depois de asfixiá-lo. E o deus, ciente de sua intenção velhaca, respondeu”: “Pare com isso, meu caro! Só depende de você se o que está trazendo é vivo ou morto”.

Fontes bibliográficas
Albert Camus. A peste. [1947]. Tradução de Valerie Rumjanek. 26a. ed. Rio de Janeiro: Record, 2019.
Arthur Rimbaud. O barco bêbado. [1871]. Em Rimbaud livre. Tradução de Augusto de Campos. São Paulo: Perspectiva, 1993.
Boris Cyrulnik. O traumatismo da epidemia provoca uma adaptação. Tradução de Edgard de Assis Carvalho. Paris: L’ OBS, nº 2890, 26/3-1/4.2020.
Carlos Drummond de Andrade. O sobrevivente. [1928]. Em Alguma poesia. São Paulo: Companhia das Letras, 2013
Edgard de Assis Carvalho. Arautos do ódio e preservação da vida. (Ensaio inédito, abril de 2020).
Edgar Morin. A mundialização é uma interdependência sem solidariedade. Entrevistado por David Le Bailey e Sylvain Courage. Tradução de Edgard de Assis Carvalho. Paris: L’OBS, nº 2889,19-25 de março de 2020.
Edgar Morin. Esta crise nos leva a questionar nosso modo de vida, nossas reais necessidades mascaradas nas alienações do cotidiano. Entrevista com Nicolas Truong. Paris: Le Monde, 20/4/2020. Publicado em Carta Maior, abril 2020. Tradução de Aluísio Schumaker.
Edmilson Felipe da Silva. No orvalho do sonho. Poema inédito. Abril 2020.
Esopo. A rã médica e a raposa. Em Fábulas completas. Tradução de Maria Celeste Dezotti; ilustrações de Eduardo Berliner; apresentação de Adriane Duarte. São Paulo: Cosac Naify, 2013. [Originalmente reunidas por Demetrio de Faleros em 325 a.C].
Esopo. O homem malvado. Em Fábulas completas, op. cit.
Jean Baudrillard. O espírito do terrorismo. Em Margem 14. [Adrian Ribaric, Élvio Rodrigues Martins, eds.], Tradução de Mariza Perassi Bosco; revisão técnica Edgard de Assis Carvalho. São Paulo: EDUC, dezembro de 3002. (Artigo originalmente publicado no Le Monde, em 3/11/01).
Julia Kristeva. A humanidade redescobre a solidão existencial, o senso dos limites e da mortalidade. Entrevista ao Corriere della Sera. Tradução de Henri José Legrand, 29/3/2020. Tradução brasileira de Edgard de Assis Carvalho.
Johann Wolfgang von Goethe. Os sofrimentos do jovem Werther. [1787]. Segunda parte. Tradução, notas e posfácio de Erlon José Paschoal. São Paulo: Estação Liberdade, 2009.
Liev Tolstói. O trabalho, a morte e a doença (Uma lenda). [1903]. Em Os últimos dias. Tradução de Anastassia Bytsenkko, Belkiss Rabello, Denise Regina de Sales, Graziela Schneider, Natalia Qiontero. São Paulo: Penguin/Companhia das Letras, 2011.
Michel Maffesoli. A pandemia é o sinal de uma crise civilizatória. Entrevistado por Bolivar Torres para O Globo. Rio de Janeiro: 4/4/2020.
Machado de Assis. A derradeira injúria. [1885]. Em Obra completa, volume III. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. Nona reimpressão, 1997.
16
Matthieu Ricard. Para nós a liberdade. [Diante da morte, capitulo 17]. Tradução de Edgard de Assis Carvalho e Mariza Perassi Bosco. São Paulo: Editora Palas Athena. [edição brasileira prevista para 2020].
Peter Sloterdijk. Tu dois changer ta vie. De l’anthropotechnique. Tradução de Olivier Mannoni. Paris: Libella, 2011. [Perspective. L’impératif absolu, p 632/645]. Tradução brasileira de Edgard de Assis Carvalho.
Philip Roth. Nêmesis. [2010] Tradução de Jorio Dauster. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
Primo Levi. É isto um homem? [1958]. Tradução de Luigi del Re. Rio de Janeiro: Rocco, 1988.
Sigmund Freud. Considerações sobre a guerra e a morte. [1915]. Em Obras completas, volume 12. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
Scott Atran. Uma experiência contra-natureza. Paris: L’OBS, nº 2890, op.cit.
Sylvie Angel. O humor é uma força que devemos recuperar. Paris: L’OBS, nº 2890, op. cit.
T.S. Eliot. A terra devastada. [1922]. Em Poemas. Organização, tradução e posfácio de Caetano W. Galindo. São Paulo: Companhia das Letras, 2018

Ensaio – Cidades afetivas: Advocacy como uma via convivialista na direção do bem viver

“As cidades afetivas investem em novas formas de convivialidade, como o slow food, os coletivos artístico-culturais, a economia solidário-colaborativa, os mandatos coletivos na política, todos em sintonia com os novos ideários, que reivindicam uma vida ecologizada para devolver às cidades a função política de ser um espaço coletivo para o bem viver”.
O Ensaio “Cidades afetivas: Advocacy como uma via convivialista na direção do bem viver” está publicado no site do Instituto de Estudos Avançados da Universidade São Paulo autoria de Vivian Blaso e integra as pesquisas em andamento no Programa Usp Cidades Globais sob a Supervisão da Professora Dra. Suzana Pasternak
Para ler o artigo na íntegra acesse o link: http://www.iea.usp.br/pesquisa/projetos-institucionais/usp-cidades-globais/artigos-digitais/cidades-afetivas-advocacy-como-uma-via-convivialista-na-direcao-do-bem-viver