Vivemos um tempo em que as crises de natureza econômica, social, política, sanitária, educacional, ambiental, cognitiva, ética não são apenas crises isoladas e pontuais, são, de fato, sistêmicas e globais. Provocada pela tríplice ação “globalização-ocidentalização-desenvolvimento”, a policrise do presente degrada a biosfera e a diversidade dos ecossistemas bioculturais.
É possível interromper o caminho que percorremos a passos largos rumo ao abismo?
É sobre essas vias regeneradoras que queremos conversar com vocês!
“Na verdade, tudo já começou, sem que se saiba disso. Estamos ainda nas fases das preliminares modestas, invisíveis, marginais, dispersas. Em todos os continentes, em todas as nações, já existem efervescências criativas, uma profusão de iniciativas locais no sentido da regeneração econômica, ou social, ou política, ou cognitiva, ou educacional, ou ética, ou existencial. (…) São essas múltiplas vias que, ao se desenvolverem em conjunto, poderão conjugar-se para formar a nova Via, que, por sua vez, desarticulará a via que seguimos e nos dirigirá rumo à ainda invisível e inconcebível Metamorfose. A salvação começou pela base.” (Edgar Morin, A Via para o futuro da humanidade)
Com: Sydney Cincotto Junior – Antropólogo, Idealizador do Cidades Afetivas e Pesquisador no Complexus PUC/SP e Vivian Blaso – Pós-Doutoranda do Programa Cidades Globais no IEA/USP, Idealizadora do Cidades Afetivas, Pesquisadora no Complexus PUC/SP, Sócia no Conversa Sustentável e Artista
As hortas comunitárias são ações que semeiam o bem viver nas cidades. Entrevistamos a Co Deputada Cláudia Visoni da Banca Ativista sobre a Horta das Corujas localizada na Vila Beatriz em São Paulo. A horta das corujas é uma ação comunitária, voluntária e idealizada por um grupo de moradores que apostam na regeneração de espaços na direção do bem viver. Ações conviviais que desobedecem as normas convencionais, ocupam e ganham cada vez mais espaços nas cidades abrindo esperanças e vias na direção da vida em comum.
Participamos da Sexta Reunião Temática Abraps 2018 Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável No dia 24 de agosto de 2018 na Unibes Cultural apresentando o Cidades Afetivas. A Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável é uma instituição sem fins lucrativos, empenhada em fortalecer a atuação do profissional que atua com os objetivos do desenvolvimento sustentável, os ODS, de maneira diferenciada e complementar ao que vem sendo abordada por outras instituições que atuam neste tema.
Acesse o Canal Cidades Afetivas no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=uRQClKvbio0
Abraps – Associação Brasileira dos Profissionais pelo Desenvolvimento Sustentável é uma instituição sem fins lucrativos, empenhada em fortalecer a atuação do profissional que atua com os objetivos do desenvolvimento sustentável, os ODS, de maneira diferenciada e complementar ao que vem sendo abordada por outras instituições que atuam neste tema. Acesse: http://abraps.org.br/ods/
São Paulo considerada a cidade Provisória pelo historiador Ernani Silva Bruno já passava de 21mil para 32 mil prédios nos tempos da industrialização. Mais tarde, nas décadas de 80 e 90 foi considerada “Cidade Patchwork”, pela professora e pesquisadora do Observatório das Metrópoles Dra.Lucia Bógus como traços de desigualdade e fragmentação pelo qual as cidades brasileiras estavam passando durante o século XX.
Um dos grandes impulsionadores das desigualdades foram a concepção dos condomínios fechados em parceria com as operações Urbanas Consorciadas que transformaram definitivamente a dinâmica espacial na cidade.
São Paulo deixava de concentrar as atividades econômicas na região central para ocupar o corredor sudoeste.
Esse processo marca uma das fases de degeneração do centro da cidade, que naquele momento atravessava um processo desvalorização imobiliária, aumento das desigualdades sociais e precarização da qualidade de vida das pessoas que residiam na região central da cidade.
Em 2004, houve a transferência de órgãos do Poder Público para áreas centrais, restauros e reformas de espaços e edifícios públicos como: Largo São Bento, Viaduto do Chá. Restauros em Edifícios Públicos como a Estação da Luz. Reurbanização de áreas centrais como Vale do Anhangabaú e Praça Roosevelt.
Hoje após o desabamento do Edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu o centro volta a ocupar a imprensa nacional e internacional e trazer as evidentes disputas territoriais, e as lutas sociais, políticas econômicas que estão em jogo na cidade de São Paulo.
Em matéria publicada pela Folha de São Paulo no dia 05 de maio de 2018, intitulada “Mercado imobiliário paulista retoma fôlego. Construtoras da capital investem em nichos e voltam a crescer num setor ainda em crise” traz informações sobre a quantidade de unidades habitacionais lançadas no centro da cidade de São Paulo nos últimos anos, demonstram os interesses do setor imobiliário em um mercado de nicho para atender a demanda do déficit habitacional de habitação e aproveitar programa do governo Minha Casa Minha Vida, conforme tabela a seguir:
Fonte: Folha de São Paulo, 05 de maio de 2018.
avenida Duque de Caxias – 261 unidades de 26 a 54 m²
Largo do Arouche – 228 unidades de 28 a 44 m² e 10 duplex de 45 a 48 m²
avenida São João – 132 unidades de 41 a 45 m²
Praça da República – 218 unidades de 27 a 49 m²
rua Anhaia – 269 unidades de 14 a 60 m²
rua Washington Luís – 247 unidades de 22 m² em 20 andares
O déficit habitacional no Brasil já ultrapassa 6 milhões de domicílios o que representa 10% dos domicílios permanentes. Em 2015, segundo a Fundação João Pinheiro, o déficit habitacional na região metropolitana de São Paulo era de 639 mil domicílios, ao mesmo tempo em que havia, no mesmo perímetro, 595 mil vagos com potencial de ocupação.
No centro da cidade de São Paulo temos inúmeros edifícios que não cumprem a sua função social, por outro lado os movimentos populares em defesa da luta por moradias como a Frente de Luta por Moradia (FLM), criada em 2004 a partir da aglutinação de outras legendas, como o Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC), de 2001. Inspirou-se na experiência de mutirões de autogestão e hoje foca suas ações no centro da capital paulista.
A Lei 11888/08 | Lei nº 11.888, de 24 de dezembro de 2008, assegura às famílias de baixa renda assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social.
Estamos diante das disputas que se acentuam com os processos de especulação imobiliária e na sequencia a gentrificação, se por um lado houve o aumento de unidades habitacionais lançadas pelas construtoras na região central da cidade de São Paulo em função do programa minha casa minha vida, por outro as expulsões e ocupações pelos movimentos de luta pela moradia reivindicam o direito à cidade.
No vídeo Direito à Cidade e Ocupações disponível no Canal Cidades Afetivas no YouTube entrevistamos o Arquiteto e Urbanista Sérgio Myssior e o Nelson da Cruz Souza coordenador do Movimento de Moradia da Região Central na cidade de São Paulo.
Aproveite e inscreva-se em no canal. O Expressão Urbana SP realiza caminhadas pela cidade de São Paulo durante os trajetos do Centro, Vila Madalena, Consolação e 23 de Maio, são abordados temas como graffitti, pixação x pichação, politica, ocupação, disputas, história e muita arte urbana. Informações sobre os trajetos acesse: https://www.expressaourbanasp.com.br/centro
Entrevista com Vinicius Georges do Expressão Urbana SP:
Convivialismo pressupõem a arte de viver juntos, que valorize a relação e a cooperação. As cidades desde os movimentos indignados, Occupy Wall Street abrem diálogos sobre os novos pensamentos dos “communs.” O manifesto convivialista ensaia saídas para as questões que assombram a contemporaneidade que vivemos, na busca pelo bem viver nas cidades. Acesse o manifesto convivialista no link: http://www.iecomplex.com.br/eventos/manifesto.pdf
A importância dos espaços públicos para a formação da identidade das cidades. Entrevista com Mauro Calliari autor do livro Espaços Públicos e Urbanidade e do Blog Caminhadas urbanas.
Entrevista com Lorenzo Mammì curador chefe do Instituto Moreira Salles em São Paulo. Um espaço convivial que incetiva por meio da sua programação cultural vias para regeneração da politica e o resgate antropoético do bem viver, o #viverascidades
Somos um observatório dos movimentos afetivos nas cidades. Um resgate atropoético do bem viver. Atuamos com a religação dos saberes, olhamos para a cidade como flâneurs contemporâneos e das nossas vivências relatamos as experiências e transformamos em conhecimentos. Compartilhamos ideias, tecemos redes conectivas em busca de vias transformadoras e regeneradoras do pensamento. Acreditamos que a melhor forma de compreender quem somos, de onde viemos e para onde vamos é nos deixar levar pelo #viverascidades. Sydney Cincotto Junior e Vivian Blaso